terça-feira, 19 de junho de 2012

Escola primária

(Escusado será dizer que este assunto me causa borboletas na barriga...)

Na semana que passou fomos ver 2 das 3 escolas que existem perto da nossa casa. Já está inscrita numa que não é a minha 1ª escolha, mas se não tiver vaga naquela que eu realmente quero, será para lá que vai.
Portanto aqui funciona assim, em Setembro que vem ela começa a pré-escola, com 3 anos e meio mais ou menos. Só irá mudar de sala e professora na creche onde já está o que para mim (e para ela) é um descanso. Para o ano, em Setembro entrará então para a primária, com cerca de 4 anos e meio, para aquilo que aqui chamam Junior infants. Não é mais do que um ano para se adaptarem à escola, às regras, ao professor, à turma, terem contacto com letras, números, livros, etc... Com 5 anos e  meio começará a 1ª classe e ficará na mesma escola até ao 6º ano.
Acho uma maravilha este sistema de cá. Penso que os miúdos começarem na pré com 4 ou 5 anos como acontece em Portugal e depois começarem logo na primária com 6 anos é um bocadinho pesado e um impacto grande para eles. Penso ser mais soft desta forma, mais gradual.
Estive também a ler no site de uma das escolas todas as regras e informações e gostei bastante do que li. Alguns exemplos: no 1º e 2º dias os miúdos só ficam 1h na escola. Nas primeiras 2 semanas só ficam cerca de 2 ou 3h e depois o horário é das 8h30 à 13h10. Chocolates, batatas fritas, doces, bebidas com gás são proibidas; à 6ª feira podem levar um doce! Aqui usam uniforme (giríssimo:) e todo o tipo de joalharia é proibida. Têm descritos o tempo de trabalho de casa que deve ser dispendio em cada ano e à 6ª feira não há trabalhos de casa! Acho das melhores ideias que poderiam ter! Apartir do 1º ano a hora de saída é por volta das 14h o que significa que nunca têm aulas de tarde!! Mas que maravilha. Têm tempo para brincar, fazer os deveres, para actividades extra-curriculares e estarem com a familia. Acho uma violência as crianças sairem da escola depois das 16h da tarde! E muitas mais regras descritas das quais fiquei fã!

(Aline lembrei-me muito de ti enquanto lia o site! Tenho de te enviar:)

16 comentários:

Kiki disse...

Isso é espectacular, mas e depois das aulas?
O que fazes às crianças?

Maria João disse...

Kiki faço o mesmo que faço agora depois da Mia vir da creche. Só lá está das 9h às 14h!

Kiki disse...

ah ok! lol
Mas é por seres enfermeira e trabalhares por turnos ou as pessoas têm horários diferentes?
Cá, seria impossível eles virem para casa à hora do almoço!
Eu deixo os meus às 9h30 e só os vou buscar às 18h30! :( É imenso, mas não tenho alternativa...

Anónimo disse...

Peço desculpa por intervir no blog, mas estava a deambular pela web em pesquisas para um doutoramento e acabei por vir aqui parar, li o blog na transversal e confesso que apenas intervenho porque sou bastante sensível a este tema (a infantil e juvenil educação nas culturas europeias), sendo psicóloga clinica, debrucei-me sobre o mesmo na tese de mestrado e devo dizer, que a educação Anglo-Saxonica que inclui a Rep. Da irlanda é tudo menos apaixonante, fofa, ou mesmo, “espetacular”.

Conheço bem o Reino Unido (presencialmente) e o seu sistema de ensino, a Rep. Da irlanda apenas estatisticamente, mas em pouco ou nada diverge da anterior e os números de desvio comportamental mostram claramente que a educação social (a dada pelos pais) bem como a institucional (a dada na escola) é tudo menos funcional, chamemos-lhe assim.

A taxa de gravidez na adolescência e até pré-adolescencia é a mais elevada da Europa e em todo o mundo apenas é superada pela India e África Subsariana, os adolescentes fumam precocemente e o consumo de álcool é igualmente alarmante e não vamos falar na taxa de crime juvenil.

O desvinculo do laço familiar acontece muito cedo, o que leva a que muitos jovens saiam de casa e tenham a sua independência por volta dos 17/18 anos. Este ato e este ritual pode em muitos casos ser visto como uma forma de sucesso precoce na sociedade, a verdade é que a taxa de sucesso dos jovens no mercado de trabalho é extremamente reduzida e recorrem na maioria a subsídios estatais e empregos precários e básicos.

E o quê que os jovens tem a ver com a introdução no ensino pré-escolar?

Simples é nos jovens que se analisa o sucesso do percurso e plano escolar estabelecido pelas sociedades, o que a Rép. Da irlanda mostra, é uma terrível falha, mas esta falha não se fica só pela educação institucional. A verdade é que a forma social de educar os filhos e o conceito Anglo-Saxonico de que os Pais tem o “direito” de ter uma vida própria (de uma forma pessoal, como mãe, nunca aceitei este conceito, embora como estudiosa o “compreenda”) comtribui em larga escala para o desvinculo familiar entre pais e crianças e este desvinculo começa exageradamente cedo. Os Pais não partilham o dia-a-dia com os filhos. Criam rituais próprios para a interação com os filhos, de forma a que estes possam deitar-se cedo, cedendo então o dito tempo para os Pais (reparei que a D. Maria João também já é fã).

Por favor minhas senhoras, não se apaixonem por um dos sistemas sociais e de ensino mais errados da Europa e que socialmente assim o demonstra.

De muitas pessoas que eu entrevistei no decorrer da minha tese, todos e todos sem exceção mostraram um profundo interesse e admiração pela cultura Latina, referenciaram muitas vezes os Portugueses e Espanhóis pela relação e laços duradouros que criam com a família e que está sempre presente, que para eles, é uma macula muito grande, apesar de serem assim, não saberem quebrar esta tendência de desvinculação familiar.

Isto foi parte do estudo, como mãe e profissional, tenho uma perspectiva muito própria, as regras são importantíssimas para as crianças, bem como a interação com os adultos, esta interação deve ser o mais natural possível, o excesso de zelo, a superproteção não prepara estes pequenos seres para os adultos que estes serão, porque a sociedade não é condescendente com falhas, não espera por preparações e não perdoa falhas e não nos é trazida em degradée.

Cumprimentos;
Marta Aristides

Full-time Mom disse...

Cá em Portugal a pré-escola começa não aos 4 ou 5 mas aos 3. As actividades vão evoluindo de acordo com a idade das crianças e quando vão para o ensino básico (vulgo "primária") já vão bastante familiarizados com a sua dinâmica, com letras e números como tu disseste. Bjs

Maria João disse...

Marta Aristides obrigada pelo comentário. 1º de tudo quero esclarecer aqui que os meus filhos não vão para a cama às 19h porque simplesmente me apetece estar descansadinha. Vão porque acordam cedo. Vão porque estão como sono. Vão porque é a rotina delas que se adequa perfeitamente com as necessidades deles e as nossas. No entanto acho que todos os pais necessitam de tempo a 2, ou a 1. De tempo sem filhos, descansadinhos para fazerem o que bem querem. Quem não gosta de estar descansada no sofá quando os filhos dormem depois de um dia cansativo que se acuse!
2º eu não fiz nenhum estudo comparativo com o sistema escolar daqui e de Portugal como é óbvio, simplesmente aqui escrevi o que me agradou no que li e no pouco que sei.
3º penso que o sucesso escolar tem sem dúvia a ver com o sistema de ensino, no enanto, e corrija-me se estou errada, tem sobretudo a ver com a educação e acompanhamento feito pelos pais
4º sem dúvida que as crianças aqui são criadas de forma diferente, desde bebés. Na minha forma de ver e das crianças e familias que conheço são bem felizes e com relações excelentes com a familia.No entanto afirma que os pais não partilham o dia a dia com os filhos, não poderia discordar mais.
5º Escreveu isto no seu comentário "Criam rituais próprios para a interação com os filhos, de forma a que estes possam deitar-se cedo, cedendo então o dito tempo para os Pais (reparei que a D. Maria João também já é fã). " Peço desculpa mas não compreendi. Então 2º a sua perspectiva os pais enfiam os filhos na cama cedo, tendo ou não sono, e vão à sua vidinha?? Se foram essas as conclusões do seu estudo então devo dizer-lhe que foi bastante mal feito!
6º A taxa de gravidez e alcoolismo nos jovens é elevada. Sem dúvida que sim. Os miúdos aqui comecem a sua vida social muito cedo, o que discordo totalmente. Penso que têm liberdade a mais ainda muito jovens (12 ou 13 anos) o que inevitavelmente acaba mal. Mas o que tem isto a ver com a escola?? Penso que estes factos estão relacionados com a educação e valores morais transmitidos não?
E eu não me estou a apaixonar por nenhum sistema de ensino ou social, mas vivo aqui portanto não pensei em enviar a minha filha para a escola para o Canadá. E também não pretendia com este post que as "senhoras" ficassem in love e viessem todas para cá viver!!!
Eu sou enfermeira e se há coisa com que contacto é com os laços familiares entre doentes e a sua familia e acredite numa coisa, são muito mais fortes do que os laços que os Portugueses criam com a sua familia. Muito mais fortes e duradouros. Exactamente o contrário do que o seu estudo demonstrou!
Cumprimentos!!
(devia ter me entrevistado a mim:)

Maria João disse...

Kiki eu trabalho das 7h30 às 21h. No entanto se estou a trabalhar, o meu marido está de folga e vice-versa. Obviamente que há ATLs e creches e amas e tudo mais, mas sim, as pessoas começam mais cedo nos empregos e acabam mais cedo também. Mas sabes que aqui a taxa de mães que estão em casa com os filhos é muito elevada!
Full-time Mom pensei que começasse aos 5 anos, como aconteceu comigo. Mas aos 3 anos a pré-primária é "de graça"? Na minha opinião uma criança não precisava de andar na creche ou pré-primária para ir familiarizada com números e letras. Isso podem bem ser feito em casa. No entanto acho que o bom de terem 1 ano na escola antes da oficial 1ª classe tem mais a ver com o espaço fisico e com o conhecimento das pessoas e regras do que propriamente com os conteúdos que vão aprender. Bjinhos.

Sara sem Sobrenome disse...

Espectacular! Há meninos no 1º ano com uma carga horária extraordinariamente pesada. Além de não perceber o objectivo, não acho nada saudável.

Aline disse...

Maria João, obrigada. Estava precisamente a pensar enviar o link à minha diretora para podermos implementar uma coisa semelhante (se bem que já adotámos algumas no meu agrupamento). Eu sou responsável pelo Pré escolar e 1º ciclo e adorei as dicas. Vou ver o site, sim.
Também adoro uniformes: já falei em implementar as batas no 1º ciclo. No pré escolar, já temos.
Beijinhos

Aline disse...

Mª João, só agora li o comentário da senhora psicóloga e a generalização que faz é assustadora. Aliás, conhecer um país através de dados estatísticos tem muito pouco de real comparativamente com quem mora num determinado país. As estatísticas são úteis mas não passam de amostragem. Não tenho dúvidas de que uma criança que passa mais horas com a família é seguramente mais equilibrado e feliz. Mas infelizmente os nossos horários de trabalho complicam.

Maria João disse...

Aline eu até nem ponho em causa o estudo da senhora, mas realmente os resultados deixam muito a desejar, se é que ela estava a falar da Irlanda em particular ou a generalizar Reino Unido/Irlanda, que são 2 realidades muito diferentes. Se há coisa que os irlandeses valorizam é mesmo a familia, o tempo passado com esta e a realização de actividades com os filhos. Agora o sucesso escolar penso que tem mais a ver com a educação e acompanhamento dos pais do que propriamente com a instituição escolar em si ou métodos usados, embora sejam super importantes! Não sei se estou certa ou errada, mas penso que o acompanhamento extra-aulas é crucial não?

Anónimo disse...

Eu sou portuguesa e cada vez mais acho q os portugueses é mais conversa q sao bons pais q propriamente o são.
o resultado está à vista para quem trabalha no ensino, estupidez, falta de educação, agressividade e mta arrogancia dos meninos bem..
enfim se realmente fosse verdade q os portugueses fossem assim tão meigos e fofinhos, estas crias seriam mais delicadas e afaveis acontece q n é assim e quem nega são os estupidos q têm filhos desses e q por sa vez são estupidos e meio

Teresa disse...

Olá,

adorei o post, muito interessante. Eu fiquei com o meu filho em casa por opção até ele ter 3 anos (fez em setembro 2011). Nessa altura matriculei-o num colégio particular. É considerado "pré-escolar" e não creche mas ainda é aos 5 anos que lhe chamam pré-primária. Entretanto tenho uma filha (quase com um ano) que também só irá para um estabelecimento de ensino com os 3. Aqui a partir dos 3 há alguma oferta de escolas públicas mas depende imenso do sítio onde se vive. No Porto, por exemplo, há pouquíssima oferta e é complicado conseguir vaga, ja na Maia há imensa coisa. No colégio do meu filho não querem que os pais vão antes das 16h30 e eu respeito isso mas sou considerada a ovelha ranhosa porque o vou buscar sempre a essa hora ou pouco depois. Ele é dos primeiros a vir embora, apesar de muitos colegas serem levados pelas avós. Adorava poder ter o meu filho num esquema desses, por mais que aí a comentadora psicóloga ache mal. Já agora, eu sou portuguesa, sempre vivi em Portugal e comecei a sair à noite aos 14, aos 16 já chegava a casa bem tarde, apanhava bebedeiras e fumava e não foi por isso que engravidei na adolescência. Ah, e saí de casa dos meus pais aos 18 anos (e nem um mês) quando vim para a Universidade. Já agora.. a 1750 km de casa dos meus pais. E ia a casa deles duas vezes por ano. E nem por isso sou dependente de subsidios nem criminosa.

disse...

Aqui em França a escola nao é obrigatoria antes dos seis anos.no entanto quase todas as crianças que nao frequentaram a crèche,vao para a pré primaria aos 3anos.andam na pré durante tres anos.e teem evaluaçoes ao fim do ano!

Full-time Mom disse...

Maria João, cá a pré-primária (ou pré-escola ou jardim de infância) começa aos 3 anos, é gratuita (no público, claro) e é opcional. Só a partir do ensino básico (vulgo "escola primária") é que é obrigatório.
Antigamente, e no meu caso, só quem não tinha quem tomasse conta dos filhos de maneira nenhuma é que frequentava a creche e a pré antes de entrar para o básico. Eu não andei e quando fui para o básico já sabia ler e escrever, por isso como podes ver não me fez falta nenhuma... Agora os tempos são outros, a vida e o ensino sofreram muitas tranformações (boas e más, of course) e é assim que funciona. Beijinhos

johnny D disse...

Mas como é que sabe que os laços familiares que os portugueses criam são mais fracos que em Inglaterra? Certamente terá um estudo (ou meta-estudo) que o confirme, e não apenas uma observação empírica...